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Terça, 17 de Junho de 2008
UMA BANANA PARA VOCÊ
EMBALAGENS, UM MUNDO DE SENSAÇÕES, INFORMAÇÕES E RESPONSABILIDADES.

Com a constante exigência do mercado por performance e resultados, sejam em quais forem os segmentos, em se tratando de embalagens o panorama não é diferente. A cada passo dado pelo concorrente, as empresas, produtos e estúdios de design se desdobram para recuperar o terreno perdido e retomar suas posições. Com a enorme difusão de informação, atualmente, os consumidores estão cada vez mais exigentes e preparados para avaliarem o nível dos seus produtos de consumo, e também, suas embalagens. Sendo assim, recai sobre elas a enorme responsabilidade de atender às necessidades do cliente, que invariavelmente são metas comerciais cada vez maiores e também satisfazer ao público consumidor, cada vez mais ávido por qualidade, informação e de tempos para cá notadamente perceptor das sensações táteis, olfativas, visuais, dentre outras oferecidas pelo design no mundo todo, na forma de embalagens.

O jornal e a reciclagem.
Hoje em dia, é assustador para um jovem ouvir falar de que há não mais de 15 anos atrás, muitos estabelecimentos como açougues, bolichos (esse vale uma googada hein?) ou mesmo quitandas utilizavam diariamente folhas de jornal como suas embalagens oficiais. Era pouco higiênico, era esteticamente desagradável, mas era extremamente prático e comum. Mas, hoje, as coisas mudaram, os cuidados com o consumidor, seus direitos e a preocupação com a imagem do “negócio” vieram a abolir os amadorismos de outrora, e nos deram outra forma de encarar as coisas com um grau maior de exigência e cuidado.

Apelativas, agressivas, sim, este é o mundo real.
Entrar num supermercado ou em qualquer outro ponto-de-venda do varejo é uma aventura quase radical: cada embalagem tentando sobrepor-se a outra, cada stopper buscando atrair mais a atenção, cada rótulo disputando quem usa mais volumes, ilustrações exagerando as características do produto, enfim, é quase andar por uma floresta recheada de arbustos que vão te arranhando a cada passo. Ora o fator de decisão da compra é o preço, ora é a novidade do produto e até mesmo o design da embalagem. O que não podemos deixar é que isso caminhe para o outro lado, que o fator decisivo chegue a ser “a embalagem que agride menos o cliente” ah, isso seria interessante ver.

Sensações pessoais substituem mensagens diretas?
Existem muitas “verdades do varejo” que nos levam a acreditar no sucesso de embalagens multicoloridas, multiformatadas, com títulos e ilustrações enormes, gritantes e cheias de elementos 3D, você parece integrante do filme do Speed Racer de tanta cor, movimento, forma e efeitos. Isso vende? Vende. Até o momento em que o consumidor ficar tão saturado desse mundo de cores e gritos, que vai querer algo no extremo oposto de tudo isso, algo mais simples, próximo, suave e pessoal, que gere sensações pequenas que sejam, mas sensações de dentro para fora e não de fora para dentro, como as de hoje.

Dê uma banana para todos e seja você mesmo.
A embalagem que ilustra essa coluna é um bom motivo para refletirmos sobre os futuros caminhos do design de embalagens. Afinal, o que queremos ao comprar um suco de banana? Uma experiência mais próxima possível do contato com a fruta como a conhecemos um dia ou uma aventura psicodélica pelo mundo dos rótulos extravagantes?

 
Publicado por Marcelo Tomaz às 08:03 PM   comentários [ 0 ]
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