MARCAS PREMIUM

Quinta, 21 de Fevereiro de 2008
BANCOS PREMIUM?
Eis aqui um caso em que um trabalho de marca bem-feito faz toda a diferença. Lidando invariavelmente com o ego e a vaidade dos clientes, os bancos, após passarem por uma comoditização dos seus serviços e produtos, descobriram que precisavam fazer algo para aumentar sua competitividade. Com isso, criou-se uma situação interessante: o público de baixa renda, até então tratado com claro descaso, foi alçado à condição de cliente “especial”, com limite de crédito disponível, o que gerou a necessidade de um “upgrade” na categoria imediatamente superior, a chamada “classe média”, daí a importância dos “produtos premium e suas respectivas marcas”. Além de resgatar a auto-estima dos clientes que até então eram “especiais” e agora se tornaram “especiais plus”, “platinum top”, “gold premium”, as marcas devem oferecer ao seu público um pouco do seu próprio estilo e valor. Vou, modestamente, como é de costume, opinar sobre algumas delas, vejam:

Banco Real - Van Gogh: Quem não gostaria de ter um talão de cheques com o nome Van Gogh na capa, estilo, arte, refinamento, tudo ali na sua carteira pronto
para ser ostentado a qualquer momento? O Real percebeu isso e concebeu a
marca Van Gogh Preferred Banking. Gosto do nome, não da marca.

HSBC - Premier: Esse “P” do Premier em fonte manuscrita mais parece capa de convite de casamento ou baile de debutante, mas nesse caso, mérito do designer
que convenceu o cliente de que isso era bom. Não gosto do nome nem da marca.

Bradesco - Prime: O Prime trabalha bem o aspiracional do cliente, mas o nome Bradesco sempre vai ser uma âncora nesse segmento premium, é um nome com
a cara do povão, o que não costuma agradar aos mais abastados. Prime é bom,
Bradesco ruim.

Santander Banespa - Preferencial: Tudo ruim, para fazer isso era melhor terem deixado o Banespa aqui, como cabide de empregos estadual, e ficado lá na terra das touradas. Aqui estão tomando olé com certeza.

Unibanco - Uniclass: São pioneiros nesse ramo e já se preocupavam com isso há algum tempo, por isso o Uniclass soa tão familiar. Marca sem grandes apelos,
não acerta e não erra.

Itaú Personnalité: Seguiram as regrinhas básicas para um trabalho deste segmento (cores sóbrias, uso do dourado, nome sofisticado e um ícone identificador),
o restante fica por conta do discurso agressivo do Itaú, aqui um pouco atenuado
para não chocar estes clientes mais sensíveis. De todas, é a que mais atinge
o alvo, que infelizmente não sou eu, snif.

 
Publicado por Marcelo Tomaz às 12:38 AM   comentários [ 1 ]
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