BRANDING

Terça, 08 de Maio de 2007
BAHAMAS
Arquitetura de marca, design e palmas, muitas palmas.

Criada pelo escritório americano Duffy & Partners, esta marca e sua arquitetura são uma lição de foco, criatividade e refinamento. O trabalho faz parte de uma ação para fortalecer e divulgar a imagem das Ilhas Bahamas pelo mundo, cujas características geográficas, diversidade cultural e multiplicidade étnica são seus principais atributos. Separei alguns highlights do projeto para aprendermos com quem sabe. Vejamos:

Sobre as formas
As chamadas formas orgânicas, que há alguns anos vêm sendo uma forte tendência, aqui ganharam um ar de originalidade e sofisticação. Utilizar elementos personalizados para cada ilha do arquipélago valoriza o conjunto e deixa nas pessoas aquele ar de requinte, tão valorizado no posicionamento do produto. Crédito para o senso estético apurado de quem criou e de quem aprovou.

Sobre as cores
Na marca umbrella, composta pelo conjunto das submarcas, a grande variedade de cores causa, a princípio, uma confusão visual e gera dificuldades em determinadas aplicações. Somente nos desdobramentos das submarcas percebemos que sacrificar um pouco a marca principal era parte da estratégia, em função de “um bem maior", que é o conceito global do projeto. Refletir geograficamente a disposição das ilhas na marca era fundamental, ou não?

Sobre os tipos
Talvez este seja o ponto "menos positivo" do trabalho. A repetição contínua das 3 letras "A" na palavra Bahamas me incomoda um pouco. O desenho da letra “A” em caixa-baixa (êta velhos tempos, hein?) na família da Avant Garde ajuda a acentuar este problema, que não existe nas submarcas devido ao uso de outra família de tipos, bem mais moderna e com um desenho muito agradável.

Quando escolhi este tema para a coluna, queria passar a amplitude de um trabalho profissional, feito por uma equipe de pessoas (um S para cada lado) extremamente capacitadas e comprometidas, que, obviamente, produziram um resultado excepcional. É uma ótima fonte de pesquisa para quem quer entender a dimensão de um processo de branding bem-feito, mas eu disse bem-feito, ok?

Para os interessados em marca, este case é um prato cheio, mas comam devagar ou não perceberão as sutilezas e a riqueza de sabores e aromas.

Voilà: www.bahamas.com
 
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Terça, 08 de Maio de 2007
TELEMARCAS
Separei oito exemplos de marcas de telefonia móvel, sendo quatro internacionais e quatro nacionais para uma análise. Mais do que falar sobre formas, cores e tipologias, a intenção é aguçar a percepção para os detalhes e pequenos deslizes cometidos por esses “papas” do design mundial. Sim, eles também cometem deslizes, rerere...

As de lá:

Orange – Por opção, passa longe dos efeitos pasteurizados da era digital. Discreta e simples, quando aplicada, “salta” aos olhos do público de uma forma bastante agressiva. Coisa de quem sabe o que faz.

Vodafone – Italiana, sucumbiu aos volumes e brilhos na sua última reformulação. Conceitualmente, usa o seu site como uma poderosa ferramenta de comunicação de vanguarda. Vale a visita.

Virgin-Mobile – Outra adepta de extravagâncias gráficas, a britânica Virgin-Mobile peca pelo excesso e não apresenta um conjunto harmônico visualmente. Acho simplista a solução adotada para esta submarca (Mobile).

O2 – In-crí-vel! Simples, quase simplória, a O2 faz parecer fácil convencer o cliente a aceitar uma marca sem firulas, ornamentos ou qualquer outro elemento que, supostamente, venham agregar valor ao conjunto. Confusão visual e excessos, muitas vezes, só revelam o despreparo de quem cria. Falei.

As de cá:

Vivo – Criada pelo escritório britânico Wolff Olins, a Vivo inovou no mercado nacional. A opção pelo bonequinho multicolorido mostrou-se acertada, afinal de contas, pulverizou a concorrência no sentido bem “Cúti cúti” da coisa. Quem não queria um bonequinho da Vivo? Até as concorrentes queriam.

TIM – Chegou ao Brasil com uma marca disforme, muito parecida com a atual, porém, com uma construção sofrível. Passou por uma reformulação com o redesenho do símbolo e da tipologia. Melhorou, mas só.

Claro – Desenvolvida pelo Gad’ Design aqui no Brasil, é uma marca sem grande apelo visual. A idéia de propagação, a tipologia distorcida e um círculo que agora é cheio de volumes e brilhos não me agradam não. Mas, enfim...

Oi – Wolff Olins novamente. Conceito impecável e nome genial. Ponto para os bretões. Capítulo à parte, o nome Oi diz mais do que aparenta, pena que a grande parte da sua comunicação seja restrita ao Rio de Janeiro. Show.


 
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Sexta, 04 de Maio de 2007
ARGENTINA X BRASIL
“ARGENTINA X BRASIL” - SUA MARCA, SUA CARA.

O objetivo dos dois países é o mesmo: padronizar, focar e, conseqüentemente, valorizar suas imagens institucional e comercial no exterior. Um briefing, claro, porém, capaz de gerar inúmeras leituras diferentes, e aí começa o nosso calvário, snif... Para nós, brasileiros, as pluralidades são itens extremamente valorizados, fazendo com que a gente queira refletir essa característica em todas as situações imagináveis, e a marca é um prato cheio para isso. Enquanto isso, os argentinos usaram o seu lado cosmopolita, fazendo com que a materialização da sua marca fosse algo que traduzisse valor e seriedade, passando longe de alegorias multicoloridas e discursos pluriculturais. Isso se chama objetividade. Quando chegamos a um determinado lugar, queremos ser reconhecidos como pessoas confiáveis, sérias e inteligentes, não como foliões multicoloridos, saltitantes e manipuláveis. Concordo que a essência de cada país deve ser um elemento forte na marca, mas o foco principal, neste caso, está na compreensão da imagem institucional de cada país e não no seu retrato cultural e histórico, traduzido por um símbolo gráfico.

Sobre as marcas
As tarjas esvoaçantes refletem perfeitamente o DNA da bandeira argentina, enquanto a vocação multicultural, multicolorida, multirracial e multiformatada do Brasil nos leva, cada vez mais, a tentar agradar a todos o tempo todo, ai, ai, ai...

Sobre as cores
Desde os chapéus da Carmen Miranda nossa gama de cores é superior a de todos os outros países. Se fôssemos cozinheiros, neste caso, teríamos usado todos os temperos possíveis no mesmo prato, urghh...

Sobre os tipos
No caso do Brasil, tantas cores e formas extravagantes não deixaram espaço para uma tipologia mais personalizada. No caso da Argentina, o fato de não utilizarem a palavra toda em letras maiúsculas, nem bold, demonstra que em pelo menos um aspecto ganhamos deles, a auto-afirmação, e como precisamos.

Aos interessados, vale uma comparação entre a apresentação das duas marcas:

ARGENTINA - http://www.guillermobrea.com/pdf/Caso_MP.pdf

BRASIL - http://institucional.turismo.gov.br/mintur/UserFiles/MarcaBrasil/marca_brasil.pdf

 
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