BRANDING

Terça, 23 de Outubro de 2012
AGORA TODOS FAZEM BRANDING
BRANDING PARA TODOS.

Dia destes me peguei pensando a respeito do branding aqui no Brasil, e curiosamente percebi o quanto as pessoas utilizam o seu santo nome em vão. Hoje não é raro nos depararmos com empresas de diversos segmentos que passaram a oferecer mais este "prato em seu cardápio". Sejam agências de propaganda, empresas especializadas em web, assessorias de imprensa, gestores de redes sociais, estúdios de ilustração, cerimonialistas, organizadores de eventos, gráficas, fotógrafos, bureaus de pré-impressão, enfim, dentro de pouco tempo, encontraremos oferta de branding até mesmo em lojas de conveniência de postos de combustível ou até nas "vending machines" mundo afora.

Não recrimino os que caem de pára-quedas no setor, e nem tenho a pretensão de achar que o "produto branding" seja ou deva estar restrito a um só segmento do mercado de comunicação, mas penso: será que fazer branding é tão fácil assim, ao ponto de novos players, oriundos de diversos setores não tão focados assim em construção de marca, passarem a oferecer esta expertise do dia para noite com maestria? Estaríamos anos a fio estudando, desenvolvendo e aperfeiçoando uma habilidade que qualquer um pode facilmente dominar de uma hora para outra? Sei que em muitas situações os clientes simplesmente não percebem as abissais diferenças que separam uma boa marca de uma ruim, mas este seria então o motivo ideal para que toda sorte de aventureiros passassem a se dedicar instantaneamente a oferecer este tal branding para seus clientes?

E estes clientes, quem zela pelo resultado final de um projeto feito por um "instanting brander"? Tudo isso me remete a uma filosofia oriental, especialmente a japonesa, onde valoriza-se muito cada detalhe, de cada parte, objetivando atingir a perfeição na construção do todo. Em resumo, lá existe a arte de se desembainhar uma espada, a arte de se fazer o CORTE com a espada, a arte de se MOVIMENTAR com a espada, até se chegar na arte do COMBATE propriamente dito. Enfim, tudo muito minucioso e específico, e é com isso que me identifico. Explorar ao máximo as habilidades do profissional nas suas expertises e não tentar abraçar o mundo, fazendo "de tudo um pouco", invariavelmente de forma desfocada, pretensiosa e bastante perigosa. Filosofia esta que se assemelha a do "PATO", que no afã de fazer tudo, não canta, não nada, não voa e nem anda direito.

E a desculpa oficial para o grand finale deste comportamento, vem sempre sob o discurso de se oferecer uma comunicação 360º que seria o grande "combo solucionador" de todas as dores que afligem o cliente, assim o fornecedor se posiciona como salvador da pátria para o seu grande provedor. E pensar que para isso, até o tal branding já estão fazendo do dia para a noite hoje em dia. Para finalizar, vou contar mais uma historinha, que sempre acontece ao me perguntarem aonde quero ir quando saímos a noite, e eu digo: Para comermos pizza, vamos à uma pizzaria, para churrasco, churrascaria, uma massa, uma boa cantina italiana, e assim por diante.

Procuro nunca pedir peixe numa sorveteria ou um churrasco numa cafeteria, e é por essas e outras eu ainda insisto em dizer: se querem uma boa marca, procurem um escritório de branding, nunca uma empresa de web, ou um organizador de eventos...
 
Publicado por Marcelo Tomaz às 08:39 AM   comentários [ 0 ]
Terça, 08 de Maio de 2007
BAHAMAS
Arquitetura de marca, design e palmas, muitas palmas.

Criada pelo escritório americano Duffy & Partners, esta marca e sua arquitetura são uma lição de foco, criatividade e refinamento. O trabalho faz parte de uma ação para fortalecer e divulgar a imagem das Ilhas Bahamas pelo mundo, cujas características geográficas, diversidade cultural e multiplicidade étnica são seus principais atributos. Separei alguns highlights do projeto para aprendermos com quem sabe. Vejamos:

Sobre as formas
As chamadas formas orgânicas, que há alguns anos vêm sendo uma forte tendência, aqui ganharam um ar de originalidade e sofisticação. Utilizar elementos personalizados para cada ilha do arquipélago valoriza o conjunto e deixa nas pessoas aquele ar de requinte, tão valorizado no posicionamento do produto. Crédito para o senso estético apurado de quem criou e de quem aprovou.

Sobre as cores
Na marca umbrella, composta pelo conjunto das submarcas, a grande variedade de cores causa, a princípio, uma confusão visual e gera dificuldades em determinadas aplicações. Somente nos desdobramentos das submarcas percebemos que sacrificar um pouco a marca principal era parte da estratégia, em função de “um bem maior", que é o conceito global do projeto. Refletir geograficamente a disposição das ilhas na marca era fundamental, ou não?

Sobre os tipos
Talvez este seja o ponto "menos positivo" do trabalho. A repetição contínua das 3 letras "A" na palavra Bahamas me incomoda um pouco. O desenho da letra “A” em caixa-baixa (êta velhos tempos, hein?) na família da Avant Garde ajuda a acentuar este problema, que não existe nas submarcas devido ao uso de outra família de tipos, bem mais moderna e com um desenho muito agradável.

Quando escolhi este tema para a coluna, queria passar a amplitude de um trabalho profissional, feito por uma equipe de pessoas (um S para cada lado) extremamente capacitadas e comprometidas, que, obviamente, produziram um resultado excepcional. É uma ótima fonte de pesquisa para quem quer entender a dimensão de um processo de branding bem-feito, mas eu disse bem-feito, ok?

Para os interessados em marca, este case é um prato cheio, mas comam devagar ou não perceberão as sutilezas e a riqueza de sabores e aromas.

Voilà: www.bahamas.com
 
Publicado por Marcelo Tomaz às 06:08 PM   comentários [ 0 ]
Terça, 08 de Maio de 2007
TELEMARCAS
Separei oito exemplos de marcas de telefonia móvel, sendo quatro internacionais e quatro nacionais para uma análise. Mais do que falar sobre formas, cores e tipologias, a intenção é aguçar a percepção para os detalhes e pequenos deslizes cometidos por esses “papas” do design mundial. Sim, eles também cometem deslizes, rerere...

As de lá:

Orange – Por opção, passa longe dos efeitos pasteurizados da era digital. Discreta e simples, quando aplicada, “salta” aos olhos do público de uma forma bastante agressiva. Coisa de quem sabe o que faz.

Vodafone – Italiana, sucumbiu aos volumes e brilhos na sua última reformulação. Conceitualmente, usa o seu site como uma poderosa ferramenta de comunicação de vanguarda. Vale a visita.

Virgin-Mobile – Outra adepta de extravagâncias gráficas, a britânica Virgin-Mobile peca pelo excesso e não apresenta um conjunto harmônico visualmente. Acho simplista a solução adotada para esta submarca (Mobile).

O2 – In-crí-vel! Simples, quase simplória, a O2 faz parecer fácil convencer o cliente a aceitar uma marca sem firulas, ornamentos ou qualquer outro elemento que, supostamente, venham agregar valor ao conjunto. Confusão visual e excessos, muitas vezes, só revelam o despreparo de quem cria. Falei.

As de cá:

Vivo – Criada pelo escritório britânico Wolff Olins, a Vivo inovou no mercado nacional. A opção pelo bonequinho multicolorido mostrou-se acertada, afinal de contas, pulverizou a concorrência no sentido bem “Cúti cúti” da coisa. Quem não queria um bonequinho da Vivo? Até as concorrentes queriam.

TIM – Chegou ao Brasil com uma marca disforme, muito parecida com a atual, porém, com uma construção sofrível. Passou por uma reformulação com o redesenho do símbolo e da tipologia. Melhorou, mas só.

Claro – Desenvolvida pelo Gad’ Design aqui no Brasil, é uma marca sem grande apelo visual. A idéia de propagação, a tipologia distorcida e um círculo que agora é cheio de volumes e brilhos não me agradam não. Mas, enfim...

Oi – Wolff Olins novamente. Conceito impecável e nome genial. Ponto para os bretões. Capítulo à parte, o nome Oi diz mais do que aparenta, pena que a grande parte da sua comunicação seja restrita ao Rio de Janeiro. Show.


 
Publicado por Marcelo Tomaz às 05:48 PM   comentários [ 0 ]
Sexta, 04 de Maio de 2007
ARGENTINA X BRASIL
“ARGENTINA X BRASIL” - SUA MARCA, SUA CARA.

O objetivo dos dois países é o mesmo: padronizar, focar e, conseqüentemente, valorizar suas imagens institucional e comercial no exterior. Um briefing, claro, porém, capaz de gerar inúmeras leituras diferentes, e aí começa o nosso calvário, snif... Para nós, brasileiros, as pluralidades são itens extremamente valorizados, fazendo com que a gente queira refletir essa característica em todas as situações imagináveis, e a marca é um prato cheio para isso. Enquanto isso, os argentinos usaram o seu lado cosmopolita, fazendo com que a materialização da sua marca fosse algo que traduzisse valor e seriedade, passando longe de alegorias multicoloridas e discursos pluriculturais. Isso se chama objetividade. Quando chegamos a um determinado lugar, queremos ser reconhecidos como pessoas confiáveis, sérias e inteligentes, não como foliões multicoloridos, saltitantes e manipuláveis. Concordo que a essência de cada país deve ser um elemento forte na marca, mas o foco principal, neste caso, está na compreensão da imagem institucional de cada país e não no seu retrato cultural e histórico, traduzido por um símbolo gráfico.

Sobre as marcas
As tarjas esvoaçantes refletem perfeitamente o DNA da bandeira argentina, enquanto a vocação multicultural, multicolorida, multirracial e multiformatada do Brasil nos leva, cada vez mais, a tentar agradar a todos o tempo todo, ai, ai, ai...

Sobre as cores
Desde os chapéus da Carmen Miranda nossa gama de cores é superior a de todos os outros países. Se fôssemos cozinheiros, neste caso, teríamos usado todos os temperos possíveis no mesmo prato, urghh...

Sobre os tipos
No caso do Brasil, tantas cores e formas extravagantes não deixaram espaço para uma tipologia mais personalizada. No caso da Argentina, o fato de não utilizarem a palavra toda em letras maiúsculas, nem bold, demonstra que em pelo menos um aspecto ganhamos deles, a auto-afirmação, e como precisamos.

Aos interessados, vale uma comparação entre a apresentação das duas marcas:

ARGENTINA - http://www.guillermobrea.com/pdf/Caso_MP.pdf

BRASIL - http://institucional.turismo.gov.br/mintur/UserFiles/MarcaBrasil/marca_brasil.pdf

 
Publicado por Marcelo Tomaz às 06:26 PM   comentários [ 0 ]
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